quinta-feira, março 02, 2006

Memórias e a origem das coisas

Ontem estive a rever em DivX aquele que considero ser o melhor concerto gravado que já vi em toda a minha vida: Live After Death, dos imortais Iron Maiden.

Sem entrar em considerações sobre a brilhante actuação da banda, em Long Beach Arena, Los Angeles, Califórnia, entre 14 e 17 de Março de 1985, lembrei-me de como os Maiden me abriram os olhos para a música, nos idos anos de 1989. Para dizer a verdade, era frustrante perguntarem-me quais eram as minhas músicas preferidas e eu não saber dizer...

Até que no meu 7º. ano de escolaridade um colega de curso me emprestou uma cassete com várias músicas, entre as quais se destacou o grande Number of the Beast, ao vivo no dito álbum.










Foi como se finalmente eu percebesse que estava ali o que eu gostava, o que eu eu queria, e poucas vezes, se não nenhumas, terei tido um momento de revelação como nesse dia de 1989. O meu gravador Tensai, cujo uso inicial era o carregamento dos jogos do meu Timex 2048, reproduziu até tarde os riff de Adrian Smith e Dave Murray.

Lembrei-me então de quem me emprestou a dita cassete, um tal de Luís Miguel Cordeiro, mais conhecido como "Fano" (alías, ninguém a não ser a família o devia conhecer pelo seu nome de baptismo). Era um "eterno repetente, mas uma pessoa com um verdadeiro bom coração, que nos protegia a nós, fracotes do 7º ano. Era o maluco que, estando "tapado" com faltas a História, saltava pela janela da sala quando a professora estava de costas (e fê-lo mais que uma vez!).

Tendo passado do 7º. para o 8º. ano sem saber como, acabámos por ir para turmas diferentes, e perdi-lhe o rasto. A última vez que ouvi falar dele foi há 4 ou 5 anos, quando o meu amigo Miguel, o encontrou no autocarro. Após uma breve troca de palavras, o Miguel ficou a saber que o itinerário do Fano era o Bairro S. João de Deus, no Porto. E claro, o Miguel ouviu o inevitável "Por acaso não tens 100$ que me emprestes?".

O Bairro S. João de Deus foi entretanto demolido, e cheira-me que a vida do Fano também... e assim se vai quem nos abriu novos caminhos na vida...

3 comentários:

José Carlos Gomes disse...

É impressão minha ou quem cai na droga são, na mairia dos casos, as boas pessoas? Os drogados que eu conheço também são gente de bom coração.

Isto só vem comprovar a minha teoria de que nascer é a pior coisa que pode acontecer a alguém, sobretudo às boas pessoas que não se adaptam ao mundo-cão em que vivemos. Dá-se como que um darwinismo social, uma selecção natural das espécies: os filhos da puta, porque mais de acordo com a sociedade em que se inserem, conseguem mais facilmente prosperar.

Bem sei que não concordas com esta teoria, mas não resisti a vir espalhar a palavra do senhor (José) também no teu blogue. :)

McBrain disse...

Tens sempre o caso dos grandes traficantes, que, "espante-se", não consomem... e olha que esses têm-na de borla! :)

APN disse...

Bem, de facto este foi um album que abriu o ouvido a muita gente da nossa geração :)
Em 1986, tinha eu 11 anos, e um vizinho meu mostrou-me o duplo vinil, e eu fiquei completamente siderado pelas fotos. Quando ouvi a intro com o discurso do Churchill, a expectativa aumentou, e quando finalmente o riff inicial de 'Aces High' irrompeu pelas colunas eu já estava completamente rendido.Este tornou-se no primeiro disco que alguma vez comprei, e no meu disco mais precioso, e tambem na minha banda favorita.
Sendo "The Rime of the Ancient Mariner" a minha musica favorita deste, e de todos os albuns deles! O ranger das tábuas no interludio desta faixa continua a arrepiar-me. E as fotos no interior do vinil continuam bem presentes, e nem mesmo o video contem a totalidade da mistica que me inspiram.
Contrariamente ao "Fano", quem me arranjou e vendeu este album seguiu um caminho mais saudável. E até arranjou um emprego estável;) Mas continua metaleiro, e very old-school.
Thanks "Phil" :)

McBrain, não voltes a falar destas coisas aqui, senão eu vou ter que escrever outro comment enorme ;)