quarta-feira, julho 22, 2009

Poema lunar

Sim, faz mais de 1 mês desde que escrevi neste blogue pela última vez. A vida não tem andado fácil. Queria no entanto partilhar convosco um poema que espero que vos convide a abrir os olhos também...

Primeiro levaram os comunistas,
mas eu não me importei
porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
mas a mim não me afectou
porque não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
mas eu não me incomodei
porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres, mas como
não sou religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
e quando percebi,
já era tarde.

Bertolt Brecht

domingo, junho 21, 2009

Metal News - Porcupine Tree Reveals New Album Details ( Metal Underground . com )

Ora digam lá se isto não são grandes notí­cias! :-)

Cá o espero!!!



Porcupine Tree Reveals New Album Details

....e com uma música de.... 55 minutos... ok, os senhores passaram-se. Como é que esta gente espera tocar na rádio? :-D

"Devem ter a mania!"

E agora é só aguardar até Setembro!

domingo, junho 14, 2009

Eleições

Passa-se uma semana sobre as eleições europeias.
Não vou comentar os resultados, mas gostaria de me debruçar sobre o tradicional problema da abstenção... e para além disso!

Não me vou gabar de nunca ter falhado uma votação; segundo os meus cálculos, falhei pelo menos três actos eleitorais, duas vezes por incompatibilidade de calendário, e outra por afazeres profissionais (na África do Sul não me deixaram votar nas últimas legislativas...).

Encontrei no entanto uma posta fantástica da Jonas Nuts que me tira as palavras da boca. Votar sempre. Mas votar em quem? A resposta de muitos foi um voto... em branco. E isso assusta, principalmente se tivermos em conta a quantidade destes votos.

Deixo aqui a minha homenagem àqueles que foram votar de propósito e optaram por votar em branco. Porque se deram ao trabalho de exercer o seu dever cívico, mesmo não escolhendo nenhum candidato. E se o deputado "branco" pudesse ser eleito? Com os votos que teve (4,63%), este senhor iria representar Portugal no Parlamento Europeu. E quem sabe se não faria o seu trabalho de uma forma pelo menos tão competente como alguns seres que deambulam por Estrasburgo e Bruxelas...

O linque para a posta da Jonas pode ser lido aqui. Leiam, que vale a pena.

sábado, maio 30, 2009

Compay Segundo

Hoje, naquele que será o dia mais quente do ano, meti no baú os frios Opeth, os perfeccionistas Steven Wilsons, e tirei de lá algo bem mais quente. Algo que infelizmente pouco ouço, mas quando o faço, sinto toda a genialidade, e o arrepiozinho na espinha é o mesmo.

Foi em 2002 que no Reino Unido o Sr. T.A.K. (ευχαριστώ, μαλάκα!) me deu a conhecer o mundo que é Buena Vista Social Club. E gostei. Era diferente, mas tinha muito sentimento, e um groove muito próprio para quem estava habituado a coisas... diferentes!

Compay Segundo deixou-nos em 2003, nonagenário e cheio de energia, apesar de fumar puros desde os seus 5 anos. Uma autêntica força da Natureza! Disfrutem....





Assim se fala em espanhol técnico!



Ouçam e aprendam!
Resta-me ouvir o seu inglês técnico!

quinta-feira, maio 21, 2009

A Comunicação Social vai mal...

Quando o notíciário das 20:00 da TSF abre com a alegria do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, pelo facto do Olhanense, o seu clube do coração, ter subido de divisão.

Sim, é verdade e aconteceu. Nada mais a dizer mesmo.

Sairam da cova?

Há uns dias, ao telefone com o meu pai, este revela-me que recebeu um panfleto junto à Estação de S. Bento, no Porto, de uma curiosa organização de índole político, de seu nome PNP/BDP, o que se traduz no belo nome de Partido Nacionalista Portugês / Bloco da Direita Portuguesa, ao melhor estilo do PCTP/MRPP...mas ao contrário.

Tratei logo de procurar esta organização (ainda não um Partido, pelo que percebi) na pelos meandros da WWW, e deparo-me com o sítio do Partido.

...e que Partido. Tal como zombies tirados do melhor filme de série Z que ninguém leva a sério, este agrupamento de cariz político(-religioso, como veremos) é um partido Nacionalista, que deseja entre outras coisas, "regressar aos Valores Tradicionais da velha sociedade cristã Portuguesa focada em Deus,na Família e na Pátria."

Ah, os bons velhos tempos da outra senhora. Que saudades...

Mas o desfile continua, pois esta gente quer "pôr um fim a todas as formas de racismo e separatismo de certos elementos que querem dividir e alienar a multicultural sociedade Portuguesa."

Ah, os bons velhos tempos do Império Colonial Português, perdão, das Províncias Ultramarinas. Angola há-de ser nossa outra vez!

Continuando.. claro que o aborto e a eutanásia seriam proibidas em toda e qualquer circunstância. Mas já a pena de morte deveria ser de novo instituída: é para respeitar a vida... matando. Certo!

Como é lógico, a disciplina de Religião e Moral (Católicas) seria de novo disciplina obrigatória! Como bom salaz^H^H^H Nacionalista! Não posso esperar por esse dia! Assim se respeita a diversidade religiosa!

...e saltando outros pontos menos ... curiosos (chamemos-lhe assim), gostaria de observar a importância do Satanismo (não, não me enganei) neste partido. Sim, porque a sociedade está pejada de valores satânicos que levam este país ao Inferno e consequente Danação Eterna! Ainda havemos todos de arder no mais quente fogo, ou transformar-nos em estátuas de sal pela nossa iniquidade! Vou limitar-me a citar aqui os ideais deste partido que mencionam o satanismo:

"Nós queremos terminar com a ênfase materialista, hedonística,egoísta e carnal que certos elementos satânicos estão a impôr na nossa sociedade."

e

"a clonagem e a seminação artificial,porque essa prática satânica no fundo nega a existência de Deus,o homem não pode criar monstros sem alma."

Ora porra... e o meu bode preto de estimação que faleceu há uns dias... bem que o podia ter usado para oferecer a Satanás... Alguém me indica quando é a próxima Missa Negra?

Quanto ao resto... procurem vocês... que eu não consigo dizer mais nada...

sábado, maio 16, 2009

Piada Geek



Porque já não inseria nenhuma há muito tempo...
Para quem não entendeu... e para simplificar, o erro 404 é a resposta a um pedido de uma página que não existe. Ora, de página a edifício, vai um curto passo! :D

segunda-feira, maio 11, 2009

Anathema @ Incrível Almadense, 09/05/2009: O concerto do ano

....Bolas! Depois do álbum do ano, o concerto do ano? Pois...

Mas vamos por partes...
Apesar de saber há já vários meses acerca deste concerto, confesso que não tinha andado com espírito para ouvir estes senhores. Por isso mesmo, confesso que "forcei" um pouco a audição preparatória. After all, era um concerto de Anathema, bolas.

O meu terceiro... em 3 anos :-)

Para começar, uma coincidência feliz. Ao chegar à entrada, o senhor Danny Cavanagh estava a entrar também, tendo inclusive ficado alguns minutos à conversa com alguns fãs, o que me deu tempo suficiente para arranjar uma caneta e meter um pouco de conversa com ele, dar-lhe os parabéns pelo soberbo álbum a solo "A Place To Be", e... ter o bilhete autografado! Não poderia haver começo melhor!

Descurei nitidamente as bandas de "aquecimento", talvez pela crença eterna que "estes concertos nunca começam a horas". Em primeiro lugar, os Leafblade, que pelos vistos incorporam o Danny Cavanagh, guitarrista de Anathema. Pelo que me contaram, trata-se de um um acústico interessante (quem sabe com reminescências no fabuloso "A Place to Be", álbum de homenagem a Nick Drake da autoria do mano Danny). E depois os Oblique Rain, que ainda ouvi parcialmente. Péssimo som, voz muito alta que ribombava pelas paredes da Incrível numa cacofonia demolidora. E o melhor é que até acho que se não fosse o som, a Chuva Oblíqua até teria sido interessante...

Entram depois os convidados principais. O reportório era o do costume, ou seja, os álbuns pós "Eternity", com a excepção de "Far Away" e "Sleepless", em que o passado mais distante foi revisitado, e "Hindsight", "A Simple Mistake", e "Angels Walk Among", novas faixas, estando as duas últimas disponíveis para download no sítio oficial da banda.

O som, sem estar espectacular, chegou e sobrou para uma actuação que só tem uma palavra: brilhante. A interacção com o público foi fenomenal, do melhor que já vi. E apesar de não trazerem o charme feminino da voz de seda de Lee Douglas (o que inviabilizou desde logo a minha faixa preferida, "A Natural Disaster"), todo a emoção e melancolia que estes sehores exalam esteve patente a 100% na Incrível Almadense.

E se um concerto com uma banda que nos agrade é bom, então quando o público agrada à banda, o que dizer? Os músicos estavam rendidos (o gesto do vocalista em virar o microfone para o público é sintomático), o público em plena comunhão com a banda. 1 encore com várias faixas que terminou com "Orion", o instrumental de Metallica... que ficou a meio porque a banda não podia tocar mais! (eram já 0:30).

Porém, o ponto alto do concerto foi.... foi este. Sem mais comentários. Já ouvi este clipe uma dezena de vezes e não consigo deixar de me arrepiar. E sim, eu estava lá! :-)

domingo, maio 10, 2009

What's been running in my head - Part IX

Hoje acordei com uma vontade enorme de ouvir isto:



Para ser sincero, estou ansioso que saia em Blu-Ray. "The Call of Ktulu", lançado no álbum "Ride The Lightning" em 1984, foi, curiosamente, a última peça escrita por Dave Mustaine (frontman dos Megadeth) para os Metallica, antes de ter recebido o grande pontapé no traseiro :-).

Trivialidades à parte, esta música estava a pedir uma orquestração há muito tempo (aliás, o próprio Michael Kamen, responsável pelos arranjos e maestro durante actuação, referiu isso). E o resultado é fenomenal: a forma como a orquestra se encaixa no thrash metal é perfeita, mas o meu destaque vai mesmo para presença da bateria. O Lars faz um trabalho extraordinário, com quebras consecutivas, mudança de ritmo, e uma imaginação pululante!

Enfim, enquanto escrevo isto já ouvi os primeiros 5 minutos da música 4 vezes. Claro que o youtube não tem capacidade de nos fornecer a riqueza de sons da orquestra - para já temos (somente) o DVD - mas já dá para ter uma ideia.

Talvez o melhor instrumental que já ouvi. Enjoy it.

quinta-feira, abril 30, 2009

O álbum do ano

Quase todos os anos há um filme e/ou álbum que me marca(m). A sensação é interessante, e chega ao ponto de ser Janeiro e eu dar comigo a pensar "este é o filme do ano". Por exemplo, vi o "Departed" em Janeiro e sabia que aquele ia ser para mim o filme do ano. E assim foi...

A nível musical, tenho vários álbuns do ano: o homónimo de Portishead, o "Silent Enigma" de Anathema, "Psalm 69" de Ministry...

Saliente-se no entanto que nem todos os anos têm um álbum do ano... mas 2009 tem. Um sólido álbum do ano, que eu tenho ouvido em loop, e que é uma autêntica pedrada no charco do panorama musical, na minha opinião.

É claro que toda esta argumentação cai por terra quando se menciona o autor do álbum, nada mais nada menos que Steven Wilson, o frontman dos Porcupine Tree. Avaliação parcial? Talvez, mas baseada na gestão das expectactivas: a verdade é que este álbum excedeu largamente as minhas expectativas mais optimistas. É arrojado, a produção é fenomenal... a impressão que dá é que "a fera se libertou" das cadeias progressivas dos Porcupine Tree, e da monotonia drone de Bass Communion, e... soltou-se o artista! Ouvi falar desta obra-prima aquando do concerto de Porcupine Tree há uns meses largos, ainda em 2008, mas para ser sincero nem prestei muita atenção ao que estava para vir... erro crasso!

Entre momentos mais calmos misturados com autênticas partes caóticas, esta peça oferece-nos um pouco de tudo...
Acima de tudo, é o álbum que retrata emoções mais fortes (que eu conheça, pelo menos!)... chego a acabar de o ouvir cansado, quase prostrado. Será que isto é razão para não o voltar a ouvir? Claro que não.

Fiquem com Harmony Korine (que descobri agora mesmo ser o nome do argumentista de "Kids" e "Ken Park"!)... o clipe é mesmo impressionante, muit bem produzido, na mesma linha do álbum.


sexta-feira, abril 24, 2009

E Depois do Adeus...

A esta hora, há 35 anos, nos Emissores Associados de Lisboa, ouvia-se isto:



E estava dado o tiro de partida para sermos grande parte do que somos hoje, para o bem e para o mal.

E pode haver qum diga que agora há falta de respeito e de segurança e que era preciso era "um Salazar em cada esquina".

Mas eu não me conseguia imaginar num país onde não podia ser quem queria. Onde a palavra liberdade não se aplica à "formiga que vem em sentido diferente", apesar dos "Vampiros" que ainda assolam o nosso dia a dia e dos tiques de prepotência dos governos que se vêem com maioria absoluta.
Melhor assim, de qualquer modo. Ao menos posso pensar... e na maior parte das vezes dizer.

É incrível ver o que éramos. Ao ver os documentários, parece que recuamos 100 anos no tempo, e não 40 ou 50. Era o país que tínhamos. Um país onde metade da população não sabia ler nem escrever, mantida ignorante (propositadamente) por uma elite agarrada ao poder. É este o "respeito" que muita gente quer de volta?

...e o que eu não dava para ter estado lá....

Falta-me falar da canção em si. Isolada ou não do 25 de Abril de 1974, é genial. A letra é linda, muito bem orquestrada e a voz do Paulo de Carvalho "enche" a música de uma maneira fantástica. Já a ouvi uma dúzia de vezes nos últimos dias e confesso que termino sempre com um arrepio na espinha.

Bela maneira de celebrar a revolução.

quarta-feira, abril 22, 2009

Flight 666

Estou a beber a minha bebida pós concerto, ou seja, um gin tónico.

Porém, não vim de um concerto. Aliás, vim de um concerto. Perdão, vim de uma sala de cinema. Vim de um concerto numa sala de cinema. Vim de um documentário numa sala de cinema. Vim do FLIGHT 666!

Foi há uns dias que PdC (e não, não é Pinto da Costa!) me indicou este linque do Público. Uma única sessão. Que iria esgotar, de certeza. Comprei logo bilhete no próprio dia (vantagens de reservar pela internet...). O conceito intrigava-me. Estava a par da tour única dos Maiden (pegar num Boeing 757, pintá-lo com as cores da banda e com o Eddie, meter a banda + a crew + 12 toneladas de equipamento e viajar à volta do mundo (eheheh), com o frontman Bruce Dickinson himself a pilotar o avião (sim, o homem tem um brevet de piloto comercial). Conceito arrojado e único. Uma tour imensa.

...e um documentário brilhante para quem é fã da banda como eu. Tenho quase tudo o que se pode ter de Maiden em quase todos os formatos, e esta visão para dentro do que é acompanhar uma banda em digressão foi única.

70000 km, 4 continentes, 23 concertos em 45 dias (via Bombaim, Sydney, Toóquio, Los Angeles, Costa Rica, Cidade do México, Bogotá, São Paulo, Buenos Aires, Santiago do Chile, Porto Rico, Nova Iorque & Toronto). É obra. E o resultado é algo parecido com isto.



O resultado é um arrepio na espinha de princípio ao fim, algo que o trailer não mostra. Só dá vontade de sair do cinema e ir para um concerto logo em seguida. Infelizmente o documentário não reflecte a segunda parte da digressão, nem inclui o concerto de Lisboa (já relatado aqui).

Nota altamente positiva para a imagem. Alta definição. Sem uma única falha que eu tenha notado. Brilhante.

Nota altamente negativa para o som. Talvez alguém se tenha esquecido que estávamos na presença de uma mistura de concerto com documentário, e os graves devem ter ficado em casa de alguém. Na primeira canção, tive que adivinhar a bateria. Daí para a frente, esta já se tornou audível, mas o som estava demasiado alto, mas não demasiado bom (bem pelo contrário!)

Valeu pelo feeling, pela vontade de me levantar da cadeira e andar aos saltos a cantar. É que vocês não sabem o que perderam. Eu sei! Mas não perdi... adorei!

domingo, abril 12, 2009

Educação Sexual? É anti-democrático!

Adivinha quem voltou? Sim, a Associação Portugal Pró-Vida! Pois, já se esqueceram das suas vigílias mensais contra o estabelecimento de um Estado Laic^H^H^H da lei do aborto? Eu já nem me lembrava.

Mas como há que marcar presença, nada como continuar a luta pela Vida. E como é que se faz isso? Sendo contra a Educação Sexual nas escolas! Sim, é assim que luta pela Vida.

Luís Botelho Ribeiro, cabeça pensante (?!?!?!) desta Associação, proclama a seguinte ideia aqui e aqui.

«A obrigatoriedade dos alunos frequentarem as aulas de Educação Sexual é anti-democrática e muito perigosa para a sociedade portuguesa»

«Enquanto pais, o Estado está-nos a tirar o direito de decidir sobre a educação que queremos dar aos nossos filhos e isso é claramente anti-constitucional».

As críticas referem-se ao facto, claro de se falar de SEXO. De sexo de forma adequada às idades, com as preocupações próprias de cada segmento. Ah, onde estão as velhas tradições de educação sexual praticada pelo pai na própria filha que enriquece este país? Ou os padres pederastas que são calmamente mudados de paróquia, não vá o escândalo levantar-se? Ai, se o Sr. Dr. Oliveira Salazar estivesse vivo, nada disto acontecia.

Seja como for, tenho uma curiosidade quase mórbida (sim, só pode ser mórbido quem presta atenção a esta gente, mea culpa, mea culpa), sobre quem, a cobro dos sectores mais retrógrados da Igreja Católica, vem a praça pública condenar a educação que todos os seres humanos (excepto os sacerdotes católicos, salvo erro) necessitam. Se calhar alguns seres com 60 anos precisavam mais dessa educação que os seus netos, mas nada é perfeito, não é?

As únicas críticas que leio são relativas à falta de elementos de natureza sexual como o casamento, o amor, a família. Desloquei-me ao blogue desta Associação e li com alguma atenção a sua retórica. Fiquei com a nítida sensação que as saudades do lápis azul são muitas e que a sexualidade devia ser encarada sempre de um ponto de vista Católico, tendo em conta que «As ideias e os ensinamentos que vão ser transmitidos aos estudantes vão fazer com que, daqui a poucos anos, tenhamos uma geração de portugueses para quem nada é proibido nem moral, nem eticamente».

Sinceramente, já me aborrece a mesma conversa de sempre, encabeçada por João César das Neves e seus acólitos. Que daqui a 30 anos isto vai ser Sodoma e Gomorra juntas, que vamos praticar o sexo livre no meio da rua, que ninguém quer saber da família.

Porque o importante é proibir. Acho interessante que estes grupos de pessoas refiram que se acham no direito de dar a educação sexual que preferem aos filhos, quando toda a gente sabe que na maior parte das vezes esta é.... inexistente! Assumam-no com frontalidade e digam: "Sim, eu quero que o meu filho(a) nada saiba sobre sexo, para além das ideias que eu lhe possa eventualmente meter na cabeça, como por exemplo:
  • sexo antes do casamento: inferno e danação eterna (letras pequeninas: se fores homem, está tudo bem, se fores mulheres, dou-te uma coça de cinto que te mando para o hospital, minha rameira!)
  • proposta de iniciação sexual (para os filhos machos, claro) indo o pai com o filho a um bordel, como se fazia antigamente, ou em alternativa, o Estado, através da Junta de Freguesia, fornece a camioneta da Junta para uma iniciação em grupo. Ah, those were the days....
  • se te masturbares, morrerás, após te terem caído todos os membros, teres ficado cego, surdo, mudo, e leproso.
  • prazer derivado do sexo: só é bom quando é para efeitos de reprodução; há que seguir as normas da Santa Madre Igreja, e referir que o único sexo legítimo é aquele em que uma mulher que não está sobre o efeito de uma pílula anti-concepcional tem as suas paredes vaginais esfregadas por um membro viril masculino que ejacula dentro da primeira. Exclui-se o coitus interruptus, se bem que seguir o exemplo de Onan e desperdiçar a semente é algo que me parece um contra-senso. (uma explicação simples sobre este facto pode ser consultada aqui.)
  • corolário do artigo anterior: o clitóris é um mito, o orgasmo feminino é um mito, e a vagina é um local para onde escorre a semente masculina
  • o marido é o chefe de família, e como homem que é, tem necessidades (a mulher não, vide alinea anterior); assim sendo, e tendo em conta que a mulher é a mãe dos filhos (legítimos), e é com a sua boca que beija os filhos, a procura de uma outra mulher é algo que se compreende; aliás, vejam a quantidade de filhos bastardos de qualidade que o nosso país gerou: D. João I, Camilo Castelo Branco, por exemplo!
  • homossexualidade = danação eterna => vá para o Inferno. Vá sem passar pelo Purgatório e sem receber 2000$ (lamento, o meu Monopólio ainda não é em Euros). Excluem-se as lésbicas, porque ficam sempre bem em filmes porno."
Note-se que estes "valores" aqui referidos eram práticas correntes e abraçadas/consentidas pelas associações de Defesa da Vida existentes desde o início da nacionalidade (também chamados de Igreja Católica Apostólica Romana)! Para quê mudar?

Agora, numa onda mais séria, e se excluirmos todos preconceitos e tabus que tais associações desejam incutir no nosso país, vejo uma solução simples: porque é que essas famílias não incutem os valores de família, de amor, de respeito ao próximo elas próprias?

Será que estes valores cató^H^H^H de família, casamento, etc, complementam o que é ensinado na escola? Ou será que contradizem? Pois...

Malditos médicos e cientistas que contradizem os ditames da Santa Madre Igreja.... se as fogueiras ainda estivessem acesas no Terreiro do Paço e no Rossio, nada disto acontecia!

Fim de semana Cultural (Pt. III) - Walküre/Valquíria

Ainda referente a um passado fim de semana muito cultural, ficou por contar a ida ao cinema. Tenho tido sorte nas minhas deslocações cinéfilas: têm sido acertadas e preenchidas por filmes que me satisfazem plenamente (ao contrário dos que tenho visualizado em casa).

... e claro, "Valquíria" não é excepção. Quem me conhece sabe que sou um aficionado de história (e quando me refiro a aficionado não falo dessa "coisa tradicional" que é maltratar animais também conhecida como tourada), pelo que não podia faltar.

Para quem (ainda) não sabe, o filme desenrola-se à volta de uma das várias tentativas para por fim à vida de Adolf Hitler, tendo sido a que mais próxima esteve de ter sucesso, não só pelo atentado em si, como pela forma como planeava todo o processo de golpe de estado. Valquíria é na verdade o nome da "operação de continuidade" desencadeada pelo Exército de Reserva alemão no caso de uma situação de caos e desobediência civil / tentativa de derrubar o poder, e é aqui que entra o Coronel Claus Schenk Graf von Stauffenberg...



Sem entrar em detalhes históricos (e foram mesmo os mínimos detalhes que deitaram tudo a perder, como se pode ver no filme), a acção é muito fiel ao que se passou na realidade, e no entanto o realizador Bryan Singer consegue abster-se da vertente documental que poderia ser mais aborrecida para alguns.

Concluindo: se ainda não viram, vão ver (ou aluguem!). No final do filme ficarão mais sábios, e terão simultaneamente passado por um par de horas de bom entertenimento. O que se pode pedir mais? Ah, já sei, uma banda sonora de luxo assinada por John Ottman! Fica como amostra a fantástica peça coral, inspirada num poema de Goethe e que encerra o filme e que me fez ficar quase até ao final dos créditos finais.



Süßer Friede,
Komm, ach komm in meine Brust!

sexta-feira, abril 10, 2009

What's been running in my head - Part VIII

Tendo indo ao meu antro de perdição que é a Carbono da Amadora em busca de uma raridade em vinil dos grandes Opeth (que estava já esgotada), acabei por, numa atitude de "consolo", adquirir quase às escuras um álbum dos costumeiros Porcupine Tree que ainda não tinha (não tinha sequer ouvido), de seu nome Coma Divine. Gravado ao vivo em Roma, em 1997, é uma boa amostra da banda até essa altura, sendo o enfoque em Signify, álbum de estúdio de 1996, e curiosamente o meu primeiro contacto com Steve Wilson & Ca.


A re-edição de 2003, que adquiri, é a versão em duplo CD, e com toda a beleza que a banda de facto merece (porque para mim os CD continuam a ter a sua mística, e o embrulho também conta... «materalistazinho, hein?»)

Serviu no entanto Coma Divine para me relembrar quão bela é Waiting (Phase I), uma já velha conhecida, e talvez, em paralelo com Moonloop, os pontos altos deste álbum. Sendo no entanto a primeira mais fácil de ouvir, fica aqui a sugestão. Divirtam-se e prestem atenção às letras...



Waiting... to be born again

Wanting... the saddest kind of pain
Waiting for the day when I will crawl away

Nothing is what I feel
Waiting... for the drugs to make it real
Waiting... for the day when I will crawl away

Waiting... to be disciplined
Aching... for your nails across my skin
Waiting... for the day when I will crawl away

sábado, março 28, 2009

Vamos apagar Lisboa

Interrompo o silêncio deste blogue para informar que vamos apagar Lisboa.

Por iniciativa da WWF, entre as 20:30 e 21:30 de hoje, vamos apagar as luzes. Sim, todas as que pudermos.

Numa iniciativa inédita a nível mundial, tanto quanto sei, a WWF pediu a aderência de 377 cidades em 74 países, onde se inclui Lisboa, para apagar as luzes durante uma hora.

É claro que mais do que poupar energia, a iniciativa serve para tomar o pulso ao nível de awareness (falta-me a palavra em português) do mundo em relação aos problemas que nos assolam...

Eu vou estar às escuras daqui a pouco... e vocês?

Mais info AQUI.

domingo, março 08, 2009

À volta do mundo... "ma non troppo piu"

Quando este blogue foi criado, um dos nomes possíveis e que acabou por ser eleito era "À Volta do Mundo", devido a ser algo intrínseco à minha vida profissional.
Foram cerca de 5 anos e 4 meses de uma aventura quase constante, aqui e ali, em dezenas de países. Foi uma experiência de vida absolutamente impressionante à qual não foi feita devida justiça por parte deste blogue, pois ficou tanto por contar...

Mas a verdade é que chega sempre uma altura de mudar. Porque há mais dinheiro em jogo, porque as palavras que nos sussurram ao ouvido são mais doces, porque as perspectivas são melhores, porque....

E mudei. Mudei de poiso. "Assentarei" um pouco mais, pelo menos no próximo ano. Deixo para trás muita coisa boa que tanto invejaria se estivesse "do outro lado". Abri os olhos. Abri muito os olhos, ao ver, ao descobrir, ao conviver com pessoas de todo o lado. E todas estas experiências serviram para reforçar aquilo em que acredito, nos diferentes valores, num mundo tão pequeno para tanta gente, mas mesmo assim (ainda) tão diferente. Saí da minha "quinta", algo que todos devíamos fazer: a intolerância e o preconceito é muitas vezes resultado do desconhecimento.

Acima de tudo, descobri.

E muito mais haveria para descobrir... mas senti a necessidade de tomar o pulso a novas experiências profissionais. É algo demasiado interessante para deixar passar.

Por isso, vou continuar por aqui. À Volta de um Mundo com menos padrões, menos cores de pele, menos línguas bizarras, menos viagens de avião, hotéis, bagagens perdidas, pessoas espectaculares, fotos, filmes, jet lag, etc...

... mas sempre de algo para contar. Assim espero!

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

terça-feira, fevereiro 17, 2009

What's been running in my head - Part VII

No fim de semana fui ao fundo do meu baú musical, de onde saquei uma pérola esquecida:

Os Kyuss são talvez a banda mais imerecidamente desconhecidas do grande público. do meu imaginário musical. Americanos, fazem parte do grupo fundador do chamado stoner rock: rock pesado, e com um sonoridade muito própria, com um som "abafado" (dá vontade de mexer na equalização, há músicas que parece que foram gravadas dentro de um caixote!), foram influência para bandas como os Metallica (Jason Newstead dixit) e estão na génese de outras como os Queens of the Stone Age (o Nick Oliveri chegou a tocar em Kyuss).

Com inflências de Heavy Metal e Punk Rock, tornaram-se (relativamente) famosos pelas suas generator parties no deserto do Arizona, sempre regadas com muito álcool e drogas, pois claro.

Foi complicado encontrar uma música que me servisse, por isso escolhi 2 totalmente diferentes: o "conhecido" One Inch Man, que é para mim uma boa imagem da músicas que estes senhores fizeram entre 1989 e 1995. Barulhenta e com um clipe eivado de imagens alucinogénicas... E o acústico Space Cadet... lindíssimo. Recomendo especialmente esta última para quem acha que neste blogue só passam cabeludos mal-cheirosos que fazem música aos berros :-). Deixem o segundo clipe tocar e continuem a vossa vida. Esta será a melhor "música de elevador" que alguma vez irão ouvir... e se no final os vossos bolsos estiverem cheios de areia do deserto do Arizona, não se espantem... é mesmo assim...

One Inch Man:


Space Cadet:


Agradecimentos a um Inutel qualquer por me ter dado a conhecer estes senhores...