quarta-feira, abril 23, 2008

Normal.... não Mordoror

Onde é que eu devia estar hoje, a esta hora? Na Culturgest, a ver os Contos de Maldoror, dos grandes Mão Morta.

Infelizmente, e por minha culpa, minha grande culpa, não estou. Estou aqui a escrever esta posta. Por isso, e em jeito de vingança, "consolei-me" com algo quase tão interessante, se bem que totalmente diferente, à minha espera na loja da Carbono da Amadora.

O EP "Nil Recurring" dos Porcupine Tree, surge como uma "caixa de restos" do fantástico "Fear of a Blank Planet".
Uma frase que me vem à ideia é a expressão "Hás-de me mostrar o teu caixote do lixo". Pois bem, os Porcupine Tree mostram aqui o seu. E se isto são os restos, como será o filet mignon? O filet mignon são quase todos os álbuns desta banda.

Fiquem com o videoclipe "Normal", infelizmente e mais uma vez "amputado" dos seus 07:07.



Sullen and bored the kids stay
And in this way they wish away each day
Stoned in the mall the kids play
And in this way they wish away each day


quinta-feira, abril 10, 2008

Nova Língua

Sem querer correr o risco de cair na boçalidade, a gerência de "À Volta do Mundo" vem por este meio mostrar-vos como é possível reinventar Mariah Carrey.

Não, meu senhores e senhoras, não é inglês, não é búlgaro, não é português. É.... qualquer coisa como eu cantava em inglês quando tinha 7 anos! Agora temos que admitir que decorar algo nesta língua exige muito treino e preserverança! Fiquem com Ken Lee. Atenção, é Ken Lee mesmo. Não há engano!




Já agora, alguém me diz onde posso aprender esta língua?

Ken Leeeeeeeeeee, tulibu dibu douchoo!!!!

(estou a reparar que já é a segunda vez em três meses que refiro o nome da inominável Mariah Carrey neste blogue. Isto anda mesmo a descer de nível....)

domingo, abril 06, 2008

Charlton Heston - RIP

Normalmente só comento noste blogue o desaparecimento de pessoas importantes. E assim é o caso da pessoa que morreu.

A única diferença é que neste caso é pena a pessoa não ter morrido mais cedo. Acabou assim um ser que não sabia distinguir entre o cowboy dos filmes e a pessoa que andava na rua. A Associação Americana de Tirinhos e Pum-pum, que aparentemente defendia que quase qualquer americano deveria ter a sua armazinha e brincar aos cowboys, matando os bandidos conforme lhes apetecesse.

Afinal de contas, Columbine só aconteceu porque os estudantes não andavam todos armados. Era o desgraçado mandar um tiro que fosse e um colega descarregava logo um cartucho em cima do meliante, mandando-o desta para melhor. Aliás, o pior que poderia acontecer era ser um falso alarme, ser uma partida, uma ameaça, etc.... e um dos zelosos estudantes matar o brincalhão com uma imitação de pistola. E isso, como podemos ver, não tem nada de mais. Assim da próxima vez o miserável não volta a pregar partidas dessas. É bem feito.


"Over my cold dead hands". Na boa, Charlton. Na boa...


Uma consulta rápida ao site da NRA assegura que a liberdade de carregar uma arma poderá curar o cancro, e até promover a paz mundial. Parem com as leis que restringem o uso e porte de arma.

Queremos armar a sair como brindes do OMO! Queremos armas a sair em Bollycaos! Queremos armas como brindes quando comprar uma grade de cervejas! Queremos armas quando abrirmos uma conta num banco (ops, essa já existe nos EUA!). Enfim...

sábado, abril 05, 2008

What's been running in my head - Part III

Os Soundgarden são para mim a banda grunge. Podem falar de Pearl Jam ou de Nirvana, mas o Chris Cornell tem uma das minhas vozes preferidas, e escreve muito muito bem. Decidi finalmente encomendar o meu álbum preferido, "Down on the Upside". O último álbum e aquele no qual as divergências artísticas se acentuaram até à ruptura, com um Chris Cornell mais soft e um Kim Thayil mais hard num conflito constante.

Acaba por ser um trabalho em que Chris Cornell triunfa, em que a malha grave e pesada de Superunknown é substuída por outros songs, alguns com influência Country até (!!!). Porém, tal seria o canto do cisne... infelizmente!

Fiquem com Burden in my Hand, que ficam bem! :-)

P.S.: AS, finalmente! :-)



Follow me into the desert
As thirsty as you are
Crack a smile and cut your mouth
And drown in alcohol
cause down below the truth is lying
Beneath the riverbed
So quench yourself and drink the water
That flows below her head

Oh no there she goes
Out in the sunshine the sun is mine

I shot my love today would you cry for me
I lost my head again would you lie for me
I left her in the sand just a burden in my hand
I lost my head again would you cry for me

Close your eyes and bow your head
I need a little sympathy
cause fear is strong and loves for everyone
Who isn't me
So kill your health and kill yourself
And kill everything you love
And if you live you can fall to pieces
And suffer with my ghost
Just a burden in my hand
Just an anchor on my heart
Just a tumor in my head
And Im in the dark

So follow me into the desert
As desperate as you are
Where the moon is glued to a picture of heaven
And all the little pigs have god

sexta-feira, março 28, 2008

Portishead - Coliseu dos Recreios, Lisboa, 27/03/2008




Algures entre 1997 e 1999, ouvi na TSF, num programa da Sarah Adamopoulos (obrigado, Sarah!), algo completamente refrescante. A força de um sample de uma orquestra misturada com scratching e uma voz absolutamente sublime captaram-me desde a primeira audição. O "All Mine" chegava pela primeira vez aos meus ouvidos. Houve depois um Inutel qualquer :-) que me emprestou o CD, e a partir daí é história.

Não assisti ao mítico concerto de 1998 no Sudoeste. Assisti ao de ontem. Creio que nunca conseguirei descrever na totalidade o que se sente quando as expectactivas, já de si tão elevadas, são ultrapassadas.

O som estava irrepreensível, e nem por um segundo comprometeu a interpretação da banda (aliás, os meus ouvidos mal zumbem depois deste concerto!). As músicas do novo álbum, "Third" resultam fenomenais ao vivo. Sons que vão desde uma percussão em "Machine Gun" que me faz lembrar os Einstürzende Neubaten, às guitarras de "Silence" que parecem tiradas de um álbum de Mão Morta. A voz de Beth Gibbons está melhor que nunca (aliás, no regresso do concerto vim a ouvir o que considero a obra prima deles, o seu álbum homónimo, e a voz esteve seguramente melhor neste concerto que em todo o dito registo de estúdio). O público aceitou (talvez ainda não rendido) os novos temas, delirou com os antigos, e terminou o concerto numa sintonia linda com a banda (Li uma crónica on-line que referiu a "estranheza" do público perante os novos temas. Não me pareceu... ou será que há mais pirataria em Lisboa que no Porto? :-D)
Pena mesmo a curta duração do concerto, e o número reduzido de encores, para um público com uma "fome" de muitos anos. Porém, acabar o alinhamento oficial com "Cowboys", a minha faixa preferida de Portishead. Brilhante!

...e agora o que não se descreve... acabar uma música e eu ficar extático, sem aplaudir sequer, quando o público delira. O porquê disto não se descreve. Não há palavras que o descrevam. Simplesmente é melhor assim.

Se não tivesse um ano que promete ser o mais profícuo que me lembro em termos de concertos, diria que o concerto do ano já eu saberia qual era. Assim sendo, esperemos...

"Ooh, if you take these things from me"
[Portishead, "Cowboys"]

Não me tirem mais coisas destas de mim, por favor. Quero mais.

segunda-feira, março 24, 2008

Visita a Ponte de Lima

No fim de semana que passou tive a oportunidade de visitar a vila de Ponte de Lima. É, pelos vistos, a vila mais antiga de Portugal. Tendo recebido foral de D. Teresa em 1125, é considerada a mais antiga Vila de Portugal.

Aproveitei também para provar as especialidades da região: arroz de sarrabulho e rojões (os melhores rojões que provei nos últimos anos... pena não ter mesmo redenho, mas mesmo assim estavam excelentes!)

Babem-se:

Refeição fantástica e pantagruélica.
Parabéns, M.!

Publicidade ao Restaurante Tulha, na Rua Formosa, mesmo no centro. Excelente comida a um óptimo preço!

Um pequeno passeio pela vila mostra uma localidade de aspecto medieval, lindíssima. Tenho pena de não a ter visitado mais cedo, nomeadamente aquando de visitas anteriores ao Alto Minho. Mas mais vale tarde do que nunca, e espero definitivamente voltar!

Ficam aqui uns "aperitivos":

Ponte medieval (pena os carros... mas a cidade não problemas de estacionamento! Excepto nos dias de feira.. que se realiza neste terreno precisamente!)


Cidade Medieval I

Cidade Medieval II

quinta-feira, março 20, 2008

José Rodrigues dos Santos e a reciclagem - Uma pessoa normal

A revista "Sábado" (sim, a tal que sai à quinta por norma, ou à quarta se no dia seguinte for feriado) de 6 de Março do presente ano presenteia-nos com uma entrevista com o novo escritor da moda, José Rodrigues dos Santos. Sempre julguei que o entrevistado, apesar dos seus tiques e piadolas muitas vezes sem graça, era um ser inteligente. Porém, o escritor/jornalista/pivô descobriu o novo nível de "normalidade do cidadão português" (quem sabe baseado em Homer Simpson), e passo a citar a revista:

"[...] o catastrófico aquecimento global do planeta, um tema que o preocupa - muito. Não se cansa de falar nas previsões que apontam para a desertificação de metade do mundo, incluindo uma parte de Portugal. Na parte que lhe cabe, poupa água. Reciclagem? Pois, isso não."

"[Reciclagem] não não faço. Sou uma pessoa normal. [...] A media do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão. Depois não são facilmente acessíveis [?????], é um conjunto de problemas práticosm requer mesmo muita boa vontade."

O que comentar? Que José Rodrigues dos Santos não consegue decorar mais que uma côr? Que não há Ecopontos onde este senhor mora? Sempre pensei que morasse perto de Lisboa. Se calhar é mais um habitante de S. Jorge de Murrunhanha, e eu não sabia. E a boa vontade que requer? Nem vos passa pela cabeça.

Segundo a nova métrica de José Rodrigues dos Santos, sou um iluminado. Consigo decorar três cores. Mais ainda, sou um abençoado com um ecoponto perto de minha casa. E tenho supermercados perto de minha casa que vendem ecopontos domésticos. Por fim, sou um autêntico Gandhi, com a minha boa vontade, que infelizmente, a "pessoa normal" José Rodrigues dos Santos não tem. Se calhar não poupo é tanta água como ele, mas não se pode ser perfeito...

Depois desta demonstração de "normalidade", só falta perguntar a J.R. dos Santos quem é que lhe escreve os livros. Porque, claro, parto do princípio que é preciso ser uma pessoa "acima da média" para tal tarefa.

5 anos

Há 5 anos atrás, a coligação de tropas americanas, britânicas e quejandas começaram as manobras de ataque para a "libertação do Iraque" das garras do temível Saddam Hussein.

Vamos saltar por cima do assunto de "armas de destruição massiva/maciça/whatever", da palhaçada que foi a Conferência dos Açores, da "guerra em si" (que terminou, segundo o Presidente Bush, no dia em que este declara "Missão Cumprida" a bordo de um porta-aviões), e centremo-nos no "pós-guerra".

Como na Jugoslávia de Tito, que mantinha sérvios, bósnios, albaneses, croatas, macedónios e montenegrinos "unidos" numa só nação, também Saddam mantinha uma relativa ordem sobre o ancestral ódio xiita/sunita, à custa de, claro, "métodos menos democráticos".

Bush expulsou e matou Saddam, mas abriu a caixa de Pandora. Chegamos assim, passados cinco anos, a um Iraque feito em frangalhos, uma terra de bandidos onde se chega ao cúmulo de ter que se comprar gasolina no mercado negro (isto no segundo maior produtor de petróleo do mundo). Pelo meio temos Abu Ghraib, Guantánamo, o enforcamento de Saddam a ser transmitido para todo o mundo, etc.

Chegamos a 2008, e segundo o precioso site "Iraq Body Count", baixas aproximadas de:

Iraq Body Count web counter


Para além da "estatística" próxima dos 90.000 mortos, há uma despesa diária de 12.000.000 de dólares por dia.

No entanto, e segundo declarações do Presidente Bush, "valeu a pena", dado que foi uma "vitória estratégica sobre os inimigos no Iraque", segundo este linque do Yahoo!. Para Bush talvez tenha sido uma vitória, dado que foi re-eleito Presidente dos EUA, dado que, segundo o average american citizen, tornou o Mundo um país mais seguro, apesar de vivermos numa constante ameaça terrorista, e parecer-me que atirar mais gasolina (olha, outro assunto interessante - já só falta referir que havia interesses económicos na invasão do Iraque) para um incêndio fora de controlo que é o terrorismo.

O sítio Iraq Body Count tem um interessante artigo acerca de quem ganhou e perdeu a guerra, e o que foi ganho e perdido. Aconselho-vos seriamente a ler o artigo neste endereço.
Deixo uma apenas uma citação que aparece no final do artigo:


"And we, the Britishand American public [and the rest of the world] ? What have we won? What have we lost? We have actually won nothing, not even our security. And we have lost something too: a little of our self-respect. A little of our conviction in our virtue, in our values and in our role as the defenders of all that is good and fair."

P.S.: E pensar que eu era neutro, e a pender para a invasão.... Espero ter-me retratado aqui.

sábado, março 15, 2008

Humor estúpido

Às vezes dou comigo a rir-me com coisas absolutamente idiotas. Humor não inteligente, humor sem sentido, mas que no entanto nos faz mandar umas boas gargalhadas. E eu que pensava que tinha um gosto refinado... :-)

Fiquem com Nuno Markl e o seu amigo Bruno Aleixo de Coimbra. A gerência de "À Volta do Mundo" dá um prémio simbólico a quem me indicar que raio de animal é o Bruno Aleixo :-)



Hmmmm! Carapaus à espanhola! LOL!

quarta-feira, março 12, 2008

A regra dos três

"Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá retornará para você. Essa lição você tem que aprender".

É assim que vai ser no próximo dia 27 de Março. Um novo trabalho pela terceira vez, que abre com esta frase, sim, sem traduções, apenas com sotaque do Brasil.


Os Portishead regressam no concerto mais aguardado do ano, na minha opinião. E eu vou ter a sorte de estar lá.

I am counting the days already...

Mais info sobre o novo álbum aqui.

P.S.: Não sei qual a fórmula da regra dos três, mas há certas premissas que parecem falhar, nomeadamente certas pessoas para as quais podemos ser o maior FDP do mundo ou Gandhi, mas... "nada [de bom] retornará para você". Preciso possivelmente de ver com mais detalhe a dita fórmula... ou como diria alguém que conheço: "Ou então não."

Independentemente disso, espero um concerto à altura da banda. Espero as misturas fantásticas de Dummy, o intimismo negro (e fenomenal!) de Portishead e o mistério que é Third. E isso é qu realmente interessa. O resto é conversa...

More News to Come...

domingo, março 09, 2008

Adivinhem quem chegou!

Na quinta feira passada andei de T-Shirt pela primeira vez.

Hoje coloquei os meus óculos de sol pela primeira vez.

É oficial. O Inverno foi-se. Que chegue a luz da Primavera.

sexta-feira, março 07, 2008

Alone in the Dark


...é o nome de uma série de jogos de computador famosos...

Mas neste caso foi o que me aconteceu ontem à noite, felizmente apenas por alguns minutos.

De repente, o ruído de "House" é substituído apenas por longínquo soar de um alarme. Tudo escuro, menos o ecrã do meu laptop. As persianas dos vizinhos, surpresos também, abrem-se, em busca de uma luz que não aparece.

O telemóvel serviu de lanterna até encontrar a vela que já esperava uso há 18 meses.


Felizmente que após alguns minutos de escuridão, a luz voltou... como sempre!

Não tenho medo do escuro, mas nestas circunstâncias, a sensação é no mínimo estranha e de impotência, especialmente pelo inesperado. Enfim, experiências novas dos dias que correm...

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Into the Wild

Tenho sido presenteado recentemente com momentos raros de bom cinema. E regressei agora de mais um momento fantástico.

Pela segunda vez na vida saio da sala quase sem palavras, com a a respiração alterada, com a percepção (sei lá de quê!) alterada, a pensar no sentido de tudo e de nada. A primeira vez passou-se com o diametralmente oposto "Fight Club", e desta vez com a obra-prima de Sean Penn, "Into the Wild".



A viagem de alguém que se quer libertar do que o atormenta (mas que na verdade não fez mais do que fugir... e já estou a falar de mais!), e que nos faz sentir, como diz a expressão "uns meninos".

Esqueçam a merda do vosso conforto material, do vosso carro, do vosso computador, dos sapatos, da merda do empréstimo que vos atormenta, das pessoas com que se relacionam e que não prestam. Deitem tudo fora e vivam. Vivam como Cristopher McCandless.

Não é um filme fácil, mas é um filme lindo, e a palavra chave aqui é uma só: visceral.

Notas especiais para todas as belíssimas citações do filme, de autores como Thoreau e Tolstoi. Uma especial menção para talvez a última citação, escrita pela mão da personagem principal entre dois parágrafos de um livro. Verdadeira...

Uma outra nota especial para a banda sonora. Basta ouvir os primeiros 10 segundos do filme para perceber quem canta e dar conta que a música tem um papel preponderante nas 2:20 horas seguintes. O Eddie Vedder é sem dúvida o homem certo.

Curiosamente, não quero ver o filme de novo tão cedo. O estado em que nos deixa não recomenda segunda dose sem recuperar as nódoas negras da primeira vez.

Quem ainda não foi... só recomendo que vá. Deixe o capacete e a armadura em casa e vá, despido de tudo o que é defesa, levar uma boa porrada. Sabe bem e a mente agradece. Vão por mim.

domingo, fevereiro 17, 2008

Fim de Semana Gastronómico - Parte I

Este fim de semana foi talvez dos mais pantagruélicos que tenho memória. Comi bem e (infelizmente para a minha saudinha) comi também muito. Mas soube bem...

Comecei com um jantar no grande Tapadinha. Comida russa, comida boa. Caro q.b., mas não só vale pelo paladar, como pelo ambiente do restaurante, no mínimo digno de despertar interesse.

Comecei com uma vodka ritual (desta vez de maracujá). Má ideia, deveria ter apostado numa vodka de marca, sem sabor. Não seria nenhuma Grey Goose, mas pelo menos algo com mais qualidade.

A entrada consistiu numa salada de caranguejo com maçã, algo desinteressante e deslavada. Tive no entanto a oportunidade de experimentar algo verdadeiramente inovador e saboroso: borshe, ou seja, uma sopa à base de beterraba e cebola, uma verdadeira delícia. A experimentar de uma próxima vez. Interessante também foi um couvert de ovo com anchova, muito bom!

Como prato principal, escolhi o óbvio: um bife tártaro, um verdadeiro manjar dos deuses, acompanhado de batatas fritas em cubos (um pouco salgadas) e uns saborosíssimos e adequados vegetais avinagrados (cenoura e beterraba, neste caso).
Para quem não sabe o que é um bife tártaro, não é mais do que carne de vaca (ou cavalo) levemente marinado, frio, e sim, cru, com especiarias e alcaparras, que depois é colocado em frio e servido numa tigela.

O mistério é que de facto a carne se desfaz na boca sem necessidade de ser mastigada. Uma experiência única.

Pequena nota para a Baltika Nº 6 que serviu de bebida: cerveja forte, preta. Um pouco forte de mais e com sabor a menos para o meu gosto. Mas bebe-se...

Terminei com um tarte de queijo com mel e nozes, que não estava mal, não senhor.

Preço final: 28 euros. Preço muito razoável para a lauta refeição. Jantar longo, bom ambiente, no qual os clientes parecem estar mais interessados em saborear a refeição do que entreter-se com conversas (o que não deixa de ser interessante, considerando a densidade de mesas.

sábado, fevereiro 09, 2008

Música de antanho

É o que dá visitar a casa da avó: muita bela música na bela cassete.

(a qualidade da foto não está 100%, mas dá para perceber; clicar na foto para aumentar)

E este sistema de som de antanho? Ah pois é! :-)

Mas não se precupem, que sei que o que hoje é moderno amanhã de antanho será... as cassetes, as aparelhagens, e às vezes até nós!

Pegadas na Neve

E se as marcas que nos deixam nesta vida fossem como estas pegadas na neve, ou seja, se se derretessem aos primeiros pingos de chuva ou raios de sol?

Munique, 15-11-2007

De uma coisa estou certo, estas pegadas já se apagaram de Munique...

domingo, fevereiro 03, 2008

Paga, caloteiro!

Hoje apanhei o susto de uma vida, ou quase...

Uns minutos após o envio de um a mensagem de e-mail por parte do meu pai, este recebe-a devolvida, com a indicação que o domínio não existe.

Após algum espanto e incredulidade, decido verificar... e de facto o domínio, para o servidor de DNS da Net que sai pelo cabo, não existe!!!

Vou de imediato ao meu gestor de domínios, que me indica que este tinha expirado no dia 31 de Janeiro de 2008... e eu tinha-me esquecido de o renovar!!!

Procedi de imediato à renovação do mesmo, tendo em seguida reposto as correctas configurações de e-mail no meu fornecedor deste serviço. Tempo total de downtime, cerca de 12 horas apenas, espero (já bem bom foi o prazo ter-se extendido mais 2 dias do que era suposto!)

Assim sendo, para quem me enviou e-mails para o endereço do costume e os teve devolvidos: descansem, o e-mail está de volta nos próximos dois anos, e aguarda as vossas mensagens, claro! Venham ela, que ele não tem medo!!! Quantas são, quantas são???? :-)

Moda na Arábia Saudita

Muitos de vós pensarão que a Arábia Saudita é uma sociedade repressora, e que por exemplo, mesmo comprar roupa será um trabalho complicado.

Facto 1: Sim, as lojas de roupa interior feminina estão de um modo geral em pisos interditos a homens (pelo menos as que vi... foi muito ao longe, porque simplesmente tinha o acesso barrado).

Facto 2: O resto das roupas não deverá representar qualquer problema. Quer dizer... quase! Senão verifiquem esta fotografia tirada à porta de um centro comercial.

Mas que raio fizeram aos modelos???
Creio que software do estilo do Adobe Photoshop deve ser muito popular por estes lados. Por exemplo, ir a uma loja de música é um regalo para quem deseja ver capaz alternativas: se por ventura o álbum em questão é um pouco mais "atrevido", como por exemplo no caso desta compilação de Mariah Carey:

Vocês acham mesmo que esta é a capa saudita do álbum? Não não! A moda saudita indica o caminho: um pouco de Photoshop e magicamente aparecem umas belas calças nas pernas da cantora (e, apesar de não me recordar, estou em crer que o top tambem não seria igual). O que na verdade é uma lástima, dado que a capa é a única coisa do álbum que é mesmo, como o título, #1... pena não ter uma imagem da capa alternativa. :-(

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

RAP no Café com Letras

Tive o privilégio de na noite de quarta-feira passada ter estado presente na Biblioteca Municipal de Oeiras, onde Ricardo Araújo Pereira veio falar para uma audiência que mal cabia dentro da sala (segundo se disse, chegou a exceder a de José Saramago e Lobo Antunes).


Tendo chegado 20 minutos antes da hora, encontrei um lugar sentado (ao contrário das largas dezenas de pessoas que tiveram que permancer em pé ou sentar-se nas escadas). Esperei pacientemente até que Carlos Vaz Marques, o anfitrião, o trouxe até nós. Foram duas horas que passaram depressa e onde RAP demonstrou toda a sua cultura literária, que vão desde sonetos de Bocage, Pessoa (que ele sabe de cor), a José Gomes Ferreira, Lobo Antunes, etc.

Incrível também a facilidade com que consegue "sacar" uma piada de basicamente qualquer assunto. Mesmo sabendo que o seu principal ganha-pão é a escrita humorística, fazer humor "em cima do acontecimento" requer uma dose de genialidade extra!

Por mim, estou fã da iniciativa Café Com Letras. Perder duas horas da nossa vida a ouvir alguém tão inteligente como Ricardo Araújo Pereira a falar sobre diversos assuntos é uma honra. Venham mais assim!

Gostaria de vos deixar com um poema de Bocage, também recitado por RAP. A beleza e a subtileza de um génio :-)

"É pau, e rei dos paus, não marmeleiro, Bem que duas gamboas lhe lobrigo; Dá leite, sem ser árvore de figo, Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro: Verga, e não quebra, como zambujeiro; Oco, qual sabugueiro tem o umbigo; Brando às vezes, qual vime, está consigo; Outras vezes mais rijo que um pinheiro: À roda da raiz produz carqueja: Todo o resto do tronco é calvo e nu; Nem cedro, nem pau-santo mais negreja! Para carvalho ser falta-lhe um U; Adivinhem agora que pau seja, E quem adivinhar meta-o no cu."